Nesta sexta-feira (27), a escalada de tensão na Ásia atingiu um nível crítico após o Paquistão declarar “guerra aberta” ao Afeganistão, lançando bombardeios contra a capital afegã, Cabul, e outras cidades. O regime Talibã, que controla o país vizinho, retaliou a ofensiva utilizando ataques com drones.
O Estopim do Conflito
O confronto direto ocorre após meses de atritos na fronteira. O governo paquistanês acusa o Afeganistão de dar abrigo e cobertura a terroristas do grupo Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), que realizam ataques frequentes contra o território do Paquistão. O governo afegão nega as acusações.
Disparidade Militar: Potência Nuclear x Regime Teocrático
O embate coloca frente a frente duas realidades bélicas completamente desproporcionais:
- Paquistão: Uma república federal parlamentar islâmica e potência nuclear (com programa atômico desde a década de 1950). Possui um exército massivo com mais de 600 mil militares na ativa, cerca de 6 mil veículos blindados de combate e mais de 400 aeronaves. A população do país é estimada em 220 milhões de habitantes.
- Afeganistão: Governado pelo Talibã (um regime teocrático totalitário que impõe a rigorosa lei da sharia) desde a retirada das tropas dos EUA em 2021. O país conta com 172 mil soldados — menos de um terço do efetivo vizinho — e não possui uma força aérea eficaz (tem apenas seis aviões e 23 helicópteros em estado de conservação incerto). O país tem cerca de 34 milhões de habitantes.

