Uma partida do Campeonato Amador de Futebol Feminino, realizada em Campo Grande (MS), foi cancelada no último dia 6 de setembro após o time Leoas se recusar a entrar em campo contra a equipe Fênix FC, que contava com a inscrição de uma atleta trans.
O confronto, que seria válido pela competição local, acabou sendo encerrado logo no início, com vitória declarada para o Fênix por W.O.. A decisão gerou forte repercussão nas redes sociais e levantou o debate sobre a participação de atletas trans em campeonatos femininos.
Argumentos do Leoas
A técnica do Leoas, Bárbara Augusta Santana, afirmou que a presença da jogadora trans representava uma desvantagem biológica para suas atletas. Ela também criticou a forma como a decisão foi comunicada, alegando falta de transparência:
“Não é questão de preconceito ou transfobia, mas de justiça no esporte. Lutamos muito para conquistar espaço no futebol feminino e queremos que seja um ambiente sem vantagens desleais, que seja justo”, declarou.
O clube ainda destacou que, minutos antes da partida, os organizadores apresentaram uma nova regra permitindo a participação de atletas trans, o que teria surpreendido e revoltado as jogadoras.
Posição do Fênix
Em nota, o Fênix FC defendeu a jogadora, ressaltando que ela possui documentos retificados que reconhecem o gênero feminino. O time acusou o Leoas de preconceito e afirmou que a recusa em jogar fere a dignidade da atleta:
“A atitude não só fere a dignidade da Adriana, como também evidencia uma prática de injúria e exclusão, inaceitável em qualquer espaço social e esportivo”, disse o clube.
Organização do campeonato
O organizador do torneio, Tony Gol, admitiu que ainda não há regulamentações específicas para atletas trans em competições amadoras, reforçando que esse debate já vem ocorrendo no cenário internacional, mas sem regras consolidadas.
Após a desistência, o time Leoas pediu o reembolso da inscrição e está oficialmente fora da competição.
Debate segue aberto
O caso tomou conta das redes sociais e dividiu opiniões entre torcedores e autoridades do esporte em Mato Grosso do Sul. Enquanto parte apoia a decisão das jogadoras como uma forma de protesto legítimo, outra defende a inclusão de pessoas trans no esporte feminino.
A polêmica segue aberta e expõe a necessidade de uma regulamentação clara para competições esportivas no Brasil.

