Evento no Waldorf Astoria foi remarcado após ataque a tiros em abril; presidente intercalou piadas à mídia com alertas sobre o programa nuclear do Irã.
Washington — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em tom de brincadeira, nesta sexta-feira (24), que pretende disputar mais uma eleição para a Presidência do país. A declaração ocorreu durante o tradicional jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, realizado na capital americana perante jornalistas, autoridades e convidados.
Diante da plateia de profissionais de imprensa, o republicano ironizou a relação com os veículos de comunicação. "Para mostrar o quanto me importo com a imprensa e salvar a audiência de vocês, quero anunciar minha intenção de concorrer a um quarto mandato como presidente dos Estados Unidos", declarou o chefe de Estado, citando suas campanhas anteriores e fazendo referência ao limite constitucional americano, que veda a busca por um terceiro período na Casa Branca nas eleições de 2028.
O evento desta noite ocorreu sob forte esquema de segurança no hotel Waldorf Astoria — local escolhido para substituir o Washington Hilton por permitir um controle de acesso mais rigoroso. O jantar original, previsto para abril, havia sido interrompido após o californiano Cole Allen, de 31 anos, trocar tiros com agentes do Serviço Secreto na entrada do recinto. O atirador, acusado de tentativa de assassinato do presidente, declarou-se inocente perante a Justiça.
Ao abordar o episódio que forçou o adiamento da cerimônia, o presidente manteve o tom provocativo em relação à cobertura jornalística sobre seu governo. "Às vezes, eu acho que alguns de vocês não gostam de mim", afirmou Trump, destacando levantamentos que apontam mais de nove em cada dez reportagens com viés negativo sobre sua gestão. "Eu tinha preparado algo para provocar vocês. Ia pegar pesado. Agora fico até triste por não poder fazer aquilo. Deve ter sido uma grande decepção."
Apesar do ambiente predominantemente descontraído, o discurso assumiu contornos sóbrios quando o presidente tratou das recentes ações militares contra o Irã. O republicano relatou que os ataques das Forças Armadas americanas causaram baixas severas no país persa, com a perda estimada em 250 aviões de combate e 159 embarcações, e reiterou a posição inflexível de Washington quanto ao programa atômico de Teerã.
"Não queremos ver Washington, nenhuma cidade americana, Israel ou qualquer parte do Oriente Médio destruída por uma arma nuclear. Não vamos permitir que isso aconteça."
Trump revelou que representantes iranianos voltaram a estabelecer contato em busca de negociações, embora tenha ressaltado que ainda não considera o momento oportuno para um acordo definitivo. Antes de discursar no jantar, o presidente também havia defendido no Salão Oval as intimações federais expedidas a jornalistas em investigações sobre vazamentos de segurança nacional relativos ao avião presidencial Air Force One, doado pelo Catar.
Com a realização do encontro, a Casa Branca concluiu a agenda anual instituída em 1914 e mantida desde Calvin Coolidge, em 1924. Segundo a secretária de imprensa Karoline Leavitt, a participação de Trump reafirmou o compromisso do governo em celebrar a liberdade de expressão e a Primeira Emenda constitucional, combinando humor e posicionamentos firmes diante da imprensa internacional.
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