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Geopolítica

Trump diz acompanhar eleições do Brasil "muito de perto"

Presidente dos EUA evita citar apoio a candidato, enquanto Abin relata à União Europeia interferência americana e russa no pleito

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (1º) que está acompanhando "muito de perto" as eleições no Brasil e classificou o pleito como "muito importante". A declaração foi feita a repórteres na Casa Branca, antes de uma viagem.

"O Brasil é um país muito importante. É um ótimo país. As pessoas do Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante", disse Trump.

O republicano não mencionou se apoia algum candidato na disputa brasileira, rompendo com o padrão que adotou em outros pleitos da América Latina. No caso mais recente, o da Colômbia, Trump manifestou apoio aberto ao hoje presidente do país, Abelardo de la Espriella.

A fala ocorre em meio a uma sequência de cartas de parlamentares americanos ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, questionando a postura do governo Trump em relação ao Brasil. Na semana passada, congressistas acusaram a gestão Trump de tentar interferir nas eleições brasileiras. Nesta semana, senadores cobraram, em novo documento a Rubio, garantias de que Washington aceitará o resultado do pleito de outubro.

No texto mais recente, os senadores expressam "preocupação com ações do governo que ameaçam nossa aliança estratégica com o Brasil" e reiteram a suspeita de interferência de Washington no processo eleitoral brasileiro.

"Ao longo do segundo mandato do presidente Trump, observamos autoridades dos EUA envolvidas em uma campanha de interferência e desestabilização no Brasil", registra o documento.

Como indícios, os senadores citam a nomeação de Darren Beattie — político de extrema direita e crítico do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — como assessor sênior para assuntos do Brasil no Departamento de Estado americano. Citam também a aplicação de tarifas extras sobre produtos brasileiros, decorrente de uma investigação que, segundo relatos, teria sido "iniciada por determinação do presidente Trump".

Em agosto, o Departamento de Estado dos Estados Unidos já havia afirmado ao g1 que respeitará "qualquer governo" eleito em outubro no Brasil e negou ter um plano para impedir a reeleição de Lula.

Ainda assim, o governo brasileiro montou uma estrutura para tentar blindar o processo eleitoral de interferências externas, segundo reportagem do jornal americano "The New York Times" baseada em fontes de Brasília. O Brasil tem buscado apoio junto a países da Europa e da Ásia, monitorado lobbies estrangeiros no país e atuado para conter informações falsas sobre fraude eleitoral.

O tema ganhou novo capítulo com uma reportagem da agência Reuters, segundo a qual a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) informou à União Europeia que Estados Unidos e Rússia tentaram interferir no pleito brasileiro. De acordo com fontes e documentos do bloco europeu obtidos pela Reuters, o alerta foi feito a delegações da Alemanha e da França que visitaram Brasília em setembro.

Na ocasião, autoridades da Abin "confirmaram a existência de interferência tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia", segundo a reportagem. Em relação ao governo americano, a suposta interferência teria incluído desde "ações judiciais até interferência abertamente reconhecida", de acordo com um relatório da União Europeia sobre o encontro ao qual a Reuters teve acesso. O documento não detalhou a natureza da suposta interferência russa.

A combinação entre a fala cautelosa de Trump e as acusações formais de parlamentares e da inteligência brasileira mantém sob escrutínio internacional a disputa eleitoral que o Brasil realiza em outubro.


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