Voltar para início
Geopolítica

Lula critica postura de Trump e avalia reciprocidade diante de tarifas comerciais

Às vésperas da Assembleia Geral da ONU, presidente contesta sobretaxas de até 37,5% impostas por Washington e critica operação militar na Venezuela

Nova York — Em viagem aos Estados Unidos para a abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (21) que Donald Trump "age como imperador" e impõe a "lei do mais forte" na condução das relações internacionais. Durante entrevista concedida à CNN, o mandatário brasileiro advertiu que estuda aplicar medidas concretas de retaliação caso as negociações bilaterais sobre as tarifas comerciais norte-americanas não avancem.

O impasse entre os dois países ganhou força com a imposição de sobretaxas que somam até 37,5% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A ofensiva tarifária de Washington reúne uma taxa de 25% ancorada na Seção 301 da Lei de Comércio — motivada por divergências sobre o PIX, regulação de plataformas digitais e etanol — e uma alíquota adicional de 12,5% sob a alegação de falhas na fiscalização contra trabalho forçado. Embora itens como carne bovina, café e celulose tenham obtido isenção, setores como maquinário agrícola e combustíveis foram diretamente atingidos.

Lula destacou que o Brasil mantém déficit na balança comercial com Washington e considerou as sobretaxas "injustas", reiterando disposição para o diálogo antes de qualquer retaliação prática. "Eu não pretendo entrar em guerra tarifária nem com os EUA e nem com ninguém, eu quero negociar, eu sou de negociação, nasci na vida sindical aprendendo a negociar, então vou tentar todo esforço que tiver ao alcance de um ser humano para tentar negociar", declarou. Caso as tratativas fracassem, o governo avalia acionar dispositivos práticos da Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada por unanimidade no Congresso, além de manter consultas na Organização Mundial do Comércio.

O petista também abordou o cenário político doméstico e as eleições presidenciais de 4 de outubro, pleito no qual busca a reeleição. Ao defender o sistema de urnas eletrônicas, Lula declarou haver articuladores atuando contra os interesses nacionais no exterior e apontou o deputado federal Eduardo Bolsonaro como um dos que estariam "insuflando os EUA contra o Brasil". O presidente mencionou apurações em torno do financiamento da cinebiografia "Dark Horse" e manifestou preocupação com eventuais interferências externas e uso de inteligência artificial, citando a proximidade do senador norte-americano Marco Rubio com a oposição.

No âmbito regional, o chefe do Executivo brasileiro classificou como "grave" a incursão militar norte-americana que resultou na captura do mandatário Nicolás Maduro, em janeiro, atualmente detido em território dos Estados Unidos. Lula sustentou que a condução de Washington compromete a soberania venezuelana e defendeu a realização imediata de eleições pela presidente interina Delcy Rodríguez para a escolha do governante pelo voto popular. "Se Maduro cometeu erro, tem que ser julgado", concluiu.


BRTimes — Jornalismo com independência e responsabilidade.

Anuncie aqui Alcance leitores em todo o Brasil. Fale com o comercial do BR Times.
delcy rodríguezDonald TrumpEduardo Bolsonaroestados unidoslei de reciprocidade econômicaLulaMarco RubioNicolás MaduroNova YorkomcONUPixVenezuela
Compartilhar: