Negociação avaliada em até £10 bilhões marcaria a primeira investida da fintech brasileira no mercado europeu
O Nubank avalia adquirir o banco digital britânico Monzo em uma negociação estimada entre £8 bilhões e £10 bilhões — cerca de R$ 55,08 bilhões a R$ 68,8 bilhões —, segundo fontes ouvidas pela agência Bloomberg sob condição de anonimato. As conversas, reveladas anteriormente pelo Sky News, marcariam a primeira movimentação da fintech brasileira no mercado europeu.
Procurado, o Nubank afirmou que não comenta "rumores ou especulações", mas reafirmou "compromisso em manter uma comunicação aberta, clara e oportuna sobre todos os assuntos comerciais relevantes". O Monzo não quis se pronunciar sobre as tratativas.
O Nubank soma 135 milhões de clientes na América Latina e é listado na Bolsa de Nova York. A companhia já expande operações nos Estados Unidos, mas até agora não tem presença no Reino Unido nem no restante da Europa — lacuna que uma eventual compra do Monzo ajudaria a preencher.
O Monzo, avaliado em cerca de £4,5 bilhões (R$ 30,9 bilhões) em uma venda secundária de ações realizada em 2024, tem mais de 16 milhões de clientes e oferece contas pessoais e empresariais, cartões de crédito e seguros residenciais. No último ano fiscal, a receita do banco britânico somou £1,7 bilhão (R$ 11,7 bilhões), enquanto os depósitos cresceram 55%, para £25,7 bilhões (R$ 176,9 bilhões).
Uma curiosidade aproxima as duas empresas: o diretor financeiro do Monzo, Tom Oldham, trabalhou anteriormente no Nubank como chefe global de planejamento e análise financeira.
Segundo o Sky News, o Monzo também avalia alternativas à venda, como uma nova rodada de captação para financiar sua expansão europeia, e chegou a estudar a abertura de capital. As tratativas com o Nubank devem envolver uma combinação de dinheiro e ações, ainda de acordo com o veículo britânico.
A negociação surge após uma mudança de rota do banco britânico. No início do ano, o Monzo anunciou o encerramento de suas operações nos Estados Unidos para se concentrar no Reino Unido e na Europa, depois de não conseguir se firmar no mercado americano.
A decisão foi uma das primeiras grandes movimentações da CEO Diana Layfield, que assumiu o cargo em fevereiro após a saída de TS Anil. Anil havia deixado o posto no ano anterior em meio a divergências no conselho sobre os planos de crescimento e de abertura de capital da empresa.
Para assessorar as tratativas, o Monzo contratou o banco Morgan Stanley e o escritório de advocacia Slaughter & May. A consultoria Qatalyst também participa das negociações, segundo o Sky News.
Uma eventual aquisição colocaria o Nubank em rota de concorrência direta com a Revolut, que soma 80 milhões de usuários em todo o mundo e obteve recentemente uma licença bancária nos Estados Unidos — mercado que também está no radar da fintech brasileira.
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