Medida eleva piso do benefício a R$ 691 e concentra depósitos de outubro em três datas, com justificativa climática
O governo federal antecipou e concentrou em três datas os pagamentos do Bolsa Família referentes a outubro, numa mudança anunciada nesta segunda-feira (19), seis dias antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. A parcela deste mês é a primeira a incorporar o novo piso do benefício, de R$ 691, definido pelo governo em 17 de setembro.
A unificação do calendário, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), busca reduzir o impacto do que o governo chama de super El Niño sobre famílias de baixa renda. A pasta informou que a mesma lógica será aplicada também em novembro e dezembro, período em que o fenômeno climático pode intensificar seus efeitos no país.
Na prática, o calendário regular por final do Número de Identificação Social (NIS) foi comprimido. Beneficiários com NIS terminado em 1 recebem nesta segunda-feira, dentro do cronograma já previsto. Quem tem final 2 recebe na terça-feira (20). A partir de quarta-feira (21), porém, todos os demais finais — 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0 — são pagos de uma só vez, em vez de seguir o escalonamento diário tradicional.
Há ainda uma exceção que antecipa o calendário por completo: moradores de municípios com situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos pelo governo federal recebem o benefício já nesta segunda-feira, independentemente do final do NIS.
O governo sustenta a decisão em dados sobre o avanço de desastres climáticos no país. Em agosto e setembro de 2026, a União reconheceu 518 situações de emergência ou calamidade pública — mais que o dobro das 253 registradas no mesmo período de 2025. Os casos de estiagem e seca saltaram de 172 para 239 no intervalo, impulsionados também por tempestades no Sul do país.
Para o último trimestre do ano, a previsão oficial aponta menos chuva em áreas do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste, e mais precipitações no Sul e em partes do Sudeste e do Nordeste. Com base nesse cenário, o MDS argumenta que a unificação dos depósitos ajuda famílias vulneráveis a enfrentar secas, enchentes e interrupções no abastecimento antes que os efeitos climáticos se agravem.
O programa segue aberto a famílias com renda mensal de até R$ 218 por pessoa, calculada pela soma da renda total dividida pelo número de integrantes do grupo familiar. Além do critério de renda, os beneficiários precisam cumprir contrapartidas como manter crianças e adolescentes matriculados na escola, fazer acompanhamento pré-natal no caso de gestantes e manter as carteiras de vacinação atualizadas.
Para continuar recebendo o benefício, as famílias também precisam manter o Cadastro Único (CadÚnico) em dia. A consulta a extratos e valores liberados pode ser feita pelos aplicativos Bolsa Família e Caixa Tem ou pelo Portal Cidadão da Caixa Econômica Federal. Dúvidas sobre regras e cadastro são atendidas pelo Disque Social do MDS, no telefone 121; questões sobre pagamentos e saques ficam a cargo da Caixa, pelo telefone 111.
O governo cita precedente para a medida: mecanismo semelhante de unificação já havia sido adotado em emergências anteriores, como durante as enchentes do Rio Grande do Sul, em maio de 2024.
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