A ausência da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) no pedido de concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro não passou despercebida — e tampouco foi encarada como mero detalhe burocrático. Entre os três senadores que representam Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional, Soraya foi a única a se recusar a assinar o requerimento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, diretamente ao ministro Alexandre de Moraes.
O documento foi protocolado pelo senador Wilder Morais (PL-GO) e, no caso de Mato Grosso do Sul, contou com a assinatura dos senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) e Tereza Cristina (PP-MS), que subscreveram o pedido solicitando a conversão de eventual custódia de Bolsonaro para o regime domiciliar, com base em seu estado de saúde fragilizado.
Isolamento político em MS
A postura de Soraya a coloca em completo isolamento político dentro da bancada sul-mato-grossense. Enquanto seus colegas optaram por um gesto humanitário e institucional, a senadora preferiu o silêncio conveniente, mesmo diante de um cenário que mobilizou parlamentares de diferentes espectros da direita no Senado.
A lista de senadores que assinaram
Até o momento, os nomes oficialmente confirmados como signatários do requerimento são:
• Wilder Morais (PL-GO) – autor do pedido
• Nelsinho Trad (PSD-MS)
• Tereza Cristina (PP-MS)
Outras adesões foram mencionadas nos bastidores de Brasília, mas não foram formalmente divulgadas em lista oficial consolidada até o fechamento desta matéria. O que se sabe com clareza é quem não assinou — e essa ausência fala alto.
Um histórico de rompimentos e traições
Eleita em 2018 na mesma onda conservadora que levou Jair Bolsonaro à Presidência, Soraya Thronicke construiu sua trajetória política surfando no eleitorado de direita. No entanto, ainda durante o mandato de Bolsonaro, rompeu publicamente com o então presidente e passou a adotar uma postura de distanciamento estratégico, que mais tarde evoluiu para oposição velada e, em alguns momentos, explícita.
Desde então, Soraya acumulou episódios que setores da direita classificam como traições políticas, incluindo:
• Apoio a pautas desalinhadas com o conservadorismo que a elegeu
• Postura ambígua em votações sensíveis para a base bolsonarista
• Aproximação discursiva com narrativas do sistema político que ela própria dizia combater
Hoje, é frequentemente citada por eleitores e lideranças conservadoras como um exemplo clássico de parlamentar eleita pela direita que abandonou suas origens políticas assim que se consolidou no poder.
O preço da omissão
A recusa em assinar o pedido de prisão domiciliar de Bolsonaro não é um ato neutro. É uma escolha política, que reforça a percepção de que Soraya Thronicke prefere manter-se alinhada ao establishment de Brasília do que aos valores que a projetaram nacionalmente.
Para muitos eleitores, o gesto apenas confirma o que já vinha sendo denunciado há anos: não foi Bolsonaro que mudou — foram alguns que o usaram como escada e depois viraram as costas.

