Fenômeno astronômico atingirá o ápice no dia 12 de agosto, escurecendo partes da Europa e do Ártico, e exige equipamentos certificados para observação segura
O Hemisfério Norte será palco de um eclipse solar total na próxima quarta-feira (12). O fenômeno, marcado pelo momento em que a Lua bloqueia completamente a face brilhante do Sol, projetará uma sombra que cruzará a Groenlândia, a Islândia, o norte da Rússia, o Oceano Atlântico, a Espanha e um pequeno trecho de Portugal.
Para o restante das regiões ao norte do equador, o espetáculo será parcial. A agência espacial americana, Nasa, confirmou que áreas no norte dos Estados Unidos — em uma faixa que se estende do Alasca à Carolina do Norte —, além da maior parte do Canadá, da Europa e do noroeste da África, verão o Sol ser coberto parcialmente pela silhueta lunar.
A dinâmica do eclipse variará drasticamente dependendo da localização geográfica. Em uma área remota do norte da Rússia, a escuridão total ocorrerá no meio do dia. Já na Groenlândia e na Islândia, o dia se transformará em noite no final da tarde. Para os observadores na Espanha e na ponta noroeste de Portugal, o bloqueio total do Sol acontecerá nos momentos finais do entardecer, oferecendo a rara oportunidade de presenciar um eclipse no pôr do sol.
A duração da totalidade será breve. A maioria das pessoas na rota central do eclipse experimentará a escuridão absoluta por menos de dois minutos. Mesmo nas áreas de maior duração, como na Groenlândia, na Rússia ou sobre o Atlântico Norte, o ápice do fenômeno não chegará à marca de dois minutos e meio.
O impacto visual da fase parcial terá proporções variadas. Cidades europeias fora da rota principal, como Paris, Londres e Madri, registrarão mais de 90% de cobertura do disco solar. Na América do Norte, os índices serão consideravelmente menores. Anchorage, no Alasca, verá 28% do Sol encoberto, enquanto Nova York e Washington D.C. observarão menos de 10% de bloqueio. No extremo leste canadense, como em St. John's, a cobertura ultrapassará a marca da metade do astro.
A segurança ocular é o ponto central das orientações emitidas pela Nasa. A única janela de tempo em que é seguro olhar diretamente para o céu sem proteção é durante os breves instantes da totalidade, quando o disco solar está 100% coberto. Antes e depois desse momento, e durante toda a fase parcial, o uso de equipamentos adequados é obrigatório.
A agência espacial alerta que óculos de sol comuns, independentemente de quão escuros sejam, não oferecem a proteção necessária. Os observadores devem utilizar óculos específicos para eclipses ou visores solares portáteis que cumpram a rigorosa norma internacional ISO 12312-2, compostos por materiais milhares de vezes mais escuros que lentes convencionais.
O risco de danos graves e irreversíveis à visão aumenta substancialmente se equipamentos ópticos forem usados de forma incorreta. Olhar para o Sol através de lentes de câmeras, telescópios ou binóculos enquanto se usa óculos de eclipse é estritamente proibido. Os raios solares concentrados pelos instrumentos ópticos queimarão o filtro de proteção e atingirão os olhos do observador. Para esses aparelhos, é exigida a acoplagem de filtros solares apropriados na extremidade frontal da lente.
Como alternativa à observação direta, a Nasa sugere métodos indiretos. A construção de um projetor de furo de agulha — feito ao perfurar um cartão de papel com um pequeno orifício — permite projetar a imagem do Sol em uma superfície próxima, garantindo a apreciação do evento com total segurança. Até mesmo a folhagem das árvores pode atuar como um projetor natural, criando o formato de pequenas meias-luas projetadas no chão.
Para o público que estiver fora da rota do eclipse ou em locais com condições climáticas desfavoráveis, a Nasa realizará uma ampla cobertura digital. A agência transmitirá o evento astronômico ao vivo a partir das 13h15, no fuso horário da costa leste americana (EDT), exibindo imagens capturadas ao longo de toda a trajetória da sombra lunar.
BRTimes — Jornalismo com independência e responsabilidade.