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Sexta-feira, 6 de março de 2026

Toffoli centraliza investigação do Caso Master e exige acesso a dados de celulares após ser citado

BrasilToffoli centraliza investigação do Caso Master e exige acesso a dados de celulares após ser citado

Ministro acumula lista de decisões consideradas “fora da praxe” por investigadores; ordem para recolher provas ocorre após seu nome aparecer em mensagens do dono do banco.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (12) que a Polícia Federal lhe envie os dados de todos os celulares apreendidos e periciados no inquérito do Banco Master. A decisão amplia uma série de medidas consideradas incomuns por juristas e investigadores, deslocando o eixo da apuração da PF para o próprio gabinete do ministro.

O Gatilho da Decisão

A ordem de Toffoli ocorre menos de 24 horas após a revelação de que seu nome foi citado em conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do banco e principal investigado. O material foi entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Passos, ao presidente do STF, Edson Fachin, que encaminhou a questão a Toffoli para que ele se manifestasse sobre uma eventual suspeição.

Ao solicitar os dados, o ministro passa a ter acesso direto ao contexto em que foi mencionado, algo atípico para a figura do juiz na fase de inquérito.

As “Decisões Inusuais”

Investigadores apontam que a condução de Toffoli foge aos padrões da praxe jurídica em pelo menos 10 momentos. Entre as medidas mais questionadas estão:

  1. Centralização: Puxou a investigação para o STF com base em indícios frágeis de envolvimento de parlamentar com foro, o que ainda não se confirmou.
  2. Sigilo Excessivo: Elevou o nível de segredo de justiça a ponto de ocultar até o andamento processual.
  3. Controle da Perícia: Escolheu pessoalmente os peritos do caso (função que cabe à PF) e determinou que a guarda dos celulares ficasse no STF ou na PGR, retirando-os da esfera policial.
  4. Agenda de Depoimentos: Determinou acareações (confronto de versões) antes mesmo dos depoimentos individuais — uma inversão da lógica investigativa — e reduziu o tempo das oitivas alegando falta de salas.

Conflito de Interesses?

Embora não haja indícios de crimes cometidos pelo ministro até o momento, a pressão por transparência aumenta devido aos “pontos de contato” entre Toffoli e os investigados. Além da citação nas mensagens, pesa o fato de o ministro ter sido sócio de uma empresa que recebeu aporte de um fundo ligado a Vorcaro e de ter viajado no mesmo jatinho que um dos advogados do banqueiro.

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