A senadora por Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina (PP), criticou duramente o desfile de escola de samba que apresentou um enredo baseado na trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para a parlamentar, a apresentação teve caráter “totalmente político” e ultrapassou os limites do razoável ao tentar desqualificar adversários do Partido dos Trabalhadores.
Segundo declaração pública da senadora, o desfile “foi totalmente político e quis desqualificar, de forma grosseira e com extremo mau gosto, todos os adversários do PT”.
Tereza Cristina também questionou o uso do jingle associado à campanha de Lula durante a apresentação:
“Sempre ao som do jingle de campanha de Lula. Se isso não é propaganda, o que será?”, afirmou.
Debate sobre carnaval e política
O desfile, que utilizou samba-enredo exaltando a trajetória do atual presidente, reacendeu discussões sobre o uso do carnaval como instrumento de manifestação político-ideológica. Para críticos, a linha entre expressão cultural e propaganda partidária estaria sendo ultrapassada.
A senadora reforçou que manifestações culturais são legítimas, mas apontou que, quando direcionadas a atacar adversários políticos ou promover figuras específicas, entram no campo da militância explícita.
Alinhamento à direita e histórico no governo Bolsonaro
Reconhecida como uma das principais lideranças do agronegócio no Congresso Nacional, Tereza Cristina tem trajetória consolidada no campo conservador e é aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante o governo Bolsonaro, comandou o Ministério da Agricultura entre 2019 e 2022, período em que ganhou destaque pela atuação junto ao setor produtivo, abertura de mercados internacionais e defesa do agronegócio brasileiro. Sua gestão lhe rendeu forte prestígio entre produtores rurais e empresários do setor, consolidando seu nome como referência técnica na área.
Hoje no Senado, mantém posicionamento alinhado à direita e tem sido voz ativa em críticas ao governo Lula, especialmente em temas econômicos, fiscais e relacionados ao campo.
Polarização também no samba
O episódio reforça o atual cenário de polarização política no país, que tem se estendido para além do Congresso e alcançado manifestações culturais de grande visibilidade pública.
Para aliados da senadora, o desfile representou um uso explícito do palco carnavalesco para fins partidários. Já defensores da apresentação argumentam que o carnaval sempre foi espaço de crítica social e política.
O tema segue repercutindo nas redes sociais e deve alimentar o debate sobre os limites entre arte, manifestação cultural e propaganda política.

