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Sexta-feira, 6 de março de 2026

Tereza Cristina assume relatoria do acordo Mercosul–União Europeia no Senado

BrasilTereza Cristina assume relatoria do acordo Mercosul–União Europeia no Senado

A senadora Tereza Cristina anunciou que aceitou a missão de relatar, no Senado Federal, o projeto que ratifica o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

O tratado, que levou 26 anos de negociações, já foi aprovado por ampla maioria na Câmara dos Deputados e agora segue para análise dos senadores.

Em publicação nas redes sociais, a parlamentar afirmou que irá se dedicar nos próximos dias à avaliação técnica do texto e indicou que acredita na aprovação do acordo, embora defenda a inclusão de recomendações, especialmente diante das salvaguardas ambientais e comerciais apresentadas recentemente pelos europeus.

Um acordo histórico e controverso

O acordo Mercosul–União Europeia é considerado um dos maiores tratados comerciais já firmados pelo bloco sul-americano. Ele prevê redução tarifária progressiva, ampliação de acesso a mercados e novas regras para compras governamentais, serviços e propriedade intelectual.

Para o Brasil, o tratado pode significar maior abertura para exportações do agronegócio e da indústria, setores que tradicionalmente defendem a ampliação de mercados internacionais. O país é um dos principais exportadores de commodities agrícolas e vê na União Europeia um parceiro estratégico.

No entanto, o acordo também enfrenta resistências. Parlamentares e representantes de setores produtivos demonstram preocupação com exigências ambientais adicionais impostas pelos europeus nos últimos anos. Essas cláusulas incluem compromissos relacionados a desmatamento, sustentabilidade e rastreabilidade de cadeias produtivas.

O papel de Tereza Cristina

Ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina é reconhecida por sua atuação junto ao setor agropecuário e por ter conduzido negociações internacionais durante sua gestão no Executivo. Sua escolha como relatora é vista como estratégica, especialmente por sua experiência em comércio exterior e políticas agrícolas.

Ao assumir a relatoria, caberá à senadora analisar o texto aprovado pela Câmara, apresentar parecer e eventualmente sugerir ajustes ou recomendações que considerem interesses nacionais. Embora o Senado não possa alterar o conteúdo do tratado internacional já firmado, pode influenciar o debate político e estabelecer condicionantes na tramitação.

Salvaguardas e soberania

Um dos pontos centrais mencionados por Tereza Cristina são as chamadas “novas salvaguardas” impostas pela União Europeia. Críticos afirmam que tais exigências podem funcionar como barreiras não tarifárias, criando obstáculos indiretos às exportações brasileiras.

A discussão envolve equilíbrio delicado entre ampliar acesso a mercados e preservar soberania regulatória. Para setores do agro, o Brasil já possui legislação ambiental rigorosa e não deve aceitar condicionantes que prejudiquem sua competitividade. Por outro lado, defensores das cláusulas ambientais argumentam que elas são cada vez mais determinantes no comércio global.

Próximos passos

O projeto começará a tramitar nas comissões do Senado antes de ir ao plenário. O parecer da relatora será decisivo para orientar os demais parlamentares.

Se aprovado, o acordo consolidará uma nova fase nas relações comerciais entre os dois blocos. Caso haja impasses políticos ou pressão de setores estratégicos, o debate pode se estender.

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo chega ao Congresso Nacional em um momento de intensos debates sobre inserção internacional do Brasil, competitividade da indústria, força do agronegócio e soberania econômica.

A relatoria de Tereza Cristina coloca o Senado no centro de uma decisão que poderá impactar o comércio exterior brasileiro pelas próximas décadas.

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