Procuradoria apura denúncia de que uma brasileira teria intermediado o envio de jovem de Natal (RN) para o bilionário americano; caso corre em sigilo.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu um procedimento formal para investigar possíveis conexões do Brasil com a rede de tráfico sexual operada pelo financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e morto em 2019. A investigação foi motivada pela divulgação recente de milhões de novos documentos pela justiça dos EUA, que trouxeram à tona diálogos suspeitos envolvendo cidadãos brasileiros.
O Caso de Natal
O foco inicial da apuração é uma denúncia recebida pelo MPF no Rio Grande do Norte, relatando o possível aliciamento de uma mulher residente em Natal para a prática de atos sexuais com Epstein nos Estados Unidos.
Segundo reportagem da BBC News Brasil, mensagens trocadas em 2011 revelam que uma brasileira, que mantinha relação de proximidade e dependência financeira com o bilionário, atuou como intermediária.
- A Intermediação: A brasileira descreveu a jovem de Natal como alguém de “família simples”, que nunca havia viajado e não falava inglês, sugerindo levá-la no mesmo voo para facilitar o trajeto.
- O Pedido de Fotos: Epstein respondeu ao envio de fotos da jovem pedindo mais imagens, especificamente de “lingerie ou biquíni”.
- Persistência: Mesmo diante de uma hesitação inicial de Epstein, a intermediária insistiu no encontro, sugerindo Paris como local e afirmando que a jovem era o “tipo” dele.
Quem Investiga
O caso foi encaminhado para a Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC), em Brasília. O órgão centraliza investigações complexas sobre o tema e mantém o procedimento sob sigilo para proteger as possíveis vítimas.
A UNTC afirmou estar atenta a todos os fatos revelados nos novos arquivos que envolvam brasileiros ou crimes praticados em território nacional.
Outras Conexões
Além da troca de mensagens sobre a jovem de Natal, os documentos mostram que Epstein mantinha relações com modelos brasileiras, oferecendo ajuda financeira em troca de contatos. Outro nome citado é o do agente de modelos Jean-Luc Brunel — encontrado morto na prisão em 2022 sob acusações de estupro —, que relatou a Epstein ter estado em Natal em 2010.

