Ministros do STF apontam tentativa de interferência externa no sistema eleitoral brasileiro a poucas semanas do pleito presidencial
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil negou os pedidos de visto de entrada formulados por altos diplomatas do Departamento de Estado dos Estados Unidos. A comissão norte-americana pretendia desembarcar no país a poucas semanas das eleições presidenciais de outubro com o objetivo de questionar a integridade das urnas eletrônicas e a confiabilidade do sistema de votação nacional.
A recusa formal do governo brasileiro ocorreu na sexta-feira (24), antecedendo a publicação de uma reportagem do jornal The Washington Post que expôs a estratégia da diplomacia americana. Os alvos da decisão do Itamaraty foram Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do governo dos Estados Unidos, cujos nomes constavam no planejamento da viagem.
Integrantes do corpo diplomático em Brasília destacaram que o Brasil possui uma tradição consolidada de receber observadores internacionais durante os pleitos eleitorais. Contudo, a avaliação estratégica das autoridades brasileiras indicou que a missão ordenada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, não possuía caráter de observação institucional, mas sim o propósito deliberado de deslegitimar o processo democrático.
A articulação promovida por Washington coincide com movimentações recentes no cenário político interno. Na última semana, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, esteve reunido com representantes de cerca de 40 países em evento privado, ocasião em que voltou a levantar suspeitas sobre os equipamentos de votação ao alegar a fabricação por empresa venezuelana — tese já desmentida e rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), ministros classificaram a tentativa de envio da missão estrangeira como "escandalosa" e "inusitada". Para os magistrados da Corte Suprema, a conduta das autoridades norte-americanas representa uma tentativa direta de ingerência em matéria de soberania e competência exclusiva das instituições do país, demandando uma postura firme de reação por parte da Justiça Eleitoral.
BRTimes — Jornalismo com independência e responsabilidade.