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Sexta-feira, 6 de março de 2026

Ibovespa sofre queda superior a 4% impactado por conflito no Oriente Médio e resultados do PIB; dólar registra alta

BrasilIbovespa sofre queda superior a 4% impactado por conflito no Oriente Médio e resultados do PIB; dólar registra alta

Na véspera, a divisa norte-americana encerrou com elevação de 0,59%, avaliada em R$ 5,1642. A bolsa de valores do Brasil, por sua vez, teve um incremento de 0,28%, alcançando 189.307 pontos, impulsionada pelo setor petroleiro.

Nesta terça-feira (3), o Ibovespa operava com forte desvalorização. Por volta das 13h14, o índice recuava 3,65%, chegando à marca de 181.603 pontos. Simultaneamente, o dólar apresentava um avanço de 2,49%, sendo negociado a R$ 5,2995.

O recuo do principal índice da bolsa nacional e dos mercados ao redor do mundo reflete o aumento do medo provocado pela intensificação da guerra no Oriente Médio, além das instabilidades econômicas globais.

Nesta terça, Israel e Irã realizaram novos ataques, com explosões reportadas em vários países da região. O número de vítimas fatais no Irã subiu para 787. Já na segunda-feira, o governo iraniano havia comunicado o bloqueio do Estreito de Ormuz, ameaçando incendiar embarcações que tentassem cruzar o local.

Essa declaração sobre o fechamento da via mais importante para o transporte de petróleo no mundo gerou uma forte valorização da commodity e ligou o sinal de alerta no mercado internacional. Os preços do petróleo mantêm uma tendência de alta nesta terça-feira, com o barril registrando um crescimento superior a 8%.

O receio de impactos negativos na economia e a elevação dos custos da energia e do petróleo, dentro de um contexto global cada vez mais imprevisível, fizeram com que investidores vendessem suas ações para buscar refúgio em ativos considerados mais seguros, a exemplo do dólar.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, explica que, “nesse cenário, bolsas de outros países e também a brasileira registram perdas. No Brasil, os efeitos atingem principalmente ações de bancos, e investidores estrangeiros estão retirando dinheiro do mercado”. Ele complementa afirmando que “o pano de fundo é um mercado que passa a se preparar para um conflito mais longo, riscos fiscais crescentes e potencial instabilidade regional mais ampla, aumentando a volatilidade e reduzindo o apetite por investimentos mais arriscados”.

No cenário doméstico, a atenção se voltou para os números do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, apresentados pelo IBGE. A economia nacional teve uma expansão de 2,3% no ano anterior, o que representa a menor alta em um período de cinco anos. Esse resultado também evidencia uma desaceleração quando comparado a 2024, ano em que o Brasil cresceu 3,4%.

Além disso, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) sobre a geração de empregos com carteira assinada em janeiro foram divulgados nesta terça-feira. Conforme o Ministério do Trabalho e Emprego, foram criados 112.334 postos formais de trabalho no primeiro mês do ano no país.

Indicadores Financeiros

Dólar:

  • Acumulado da semana: +0,62%
  • Acumulado do mês: +0,62%
  • Acumulado do ano: -5,88%

Ibovespa:

  • Acumulado da semana: +0,28%
  • Acumulado do mês: +0,28%
  • Acumulado do ano: +17,49%

Petróleo em disparada

Os valores do petróleo seguem em forte ascensão no mercado global após o Irã declarar o bloqueio do Estreito de Ormuz e ameaçar atacar os navios que tentassem atravessar a área. Na manhã desta terça, o barril do tipo Brent registrava um aumento de quase 7%, sendo negociado acima de US$ 82.

A área possui relevância estratégica para o mercado global de energia, sendo a rota de passagem para cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta. Esse fato ampliou o medo de desabastecimento e fez os preços dispararem.

O encarecimento já era impulsionado pelo agravamento do conflito no Oriente Médio, em decorrência dos ataques promovidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, os quais também afetaram infraestruturas de energia.

Como consequência, nações da região, incluindo Israel, Catar e Arábia Saudita, paralisaram preventivamente a extração de petróleo e gás, intensificando os temores relacionados à oferta mundial. O fornecimento de gás natural também sofreu impactos, o que aumentou ainda mais a pressão sobre os custos energéticos. A escalada do embate elevou a percepção de risco nos mercados, que agora acompanham os possíveis reflexos na inflação e no avanço da economia global.

Essa expressiva valorização do petróleo traz benefícios para as companhias do segmento, visto que comercializam a commodity com base nos preços internacionais. Com a alta do barril, a receita dessas empresas tende a crescer, melhorando as projeções de lucro e impulsionando o valor de suas ações na bolsa. Na segunda-feira, as ações da Petrobras tiveram um salto de mais de 4%, o que ajudou a mitigar a queda do Ibovespa, que operava em baixa durante a manhã antes de reverter o cenário.

PIB brasileiro

De acordo com o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 2,3% em 2025. Esse percentual indica uma desaceleração em relação aos 3,4% registrados em 2024 e marca o menor crescimento em cinco anos. Ainda assim, foi o quinto ano consecutivo de expansão econômica.

No quarto trimestre, a alta foi de apenas 0,1%, sinalizando uma estagnação no encerramento do ano. A agropecuária foi o grande motor desse crescimento, com um avanço de 11,7%, tracionada pelas colheitas recordes de milho e soja. O segmento de serviços teve uma alta de 1,8%, a despeito das taxas de juros elevadas, e a indústria apresentou uma elevação discreta de 1,4%, amparada pelas indústrias extrativas, como óleo e gás.

Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias teve um crescimento de 1,3%, mostrando desaceleração frente a 2024 devido ao endividamento e aos juros altos. Já os investimentos governamentais subiram 2,9%, impulsionados pela construção civil e pela importação de bens de capital. As exportações cresceram 6,2%, enquanto as importações registraram alta de 4,5%.

Mercados globais

Em Wall Street, as bolsas operam em queda devido à escalada da guerra no Oriente Médio, o que amplia a preocupação dos investidores sobre os efeitos do petróleo mais caro na inflação e na economia. Por volta das 13h30 (pelo horário de Brasília), o Dow Jones registrava perda de aproximadamente 1,72%, o S&P 500 caía 1,55% e o Nasdaq tinha desvalorização de 1,64%, pressionado pela maior exposição das empresas de tecnologia ao clima de cautela dos investidores.

Na Europa, os mercados também sofreram quedas acentuadas nesta terça-feira, sob o peso da alta do gás e do petróleo causada pela guerra. Há o temor de que um conflito prolongado encareça combustíveis, transportes e produtos em geral, prejudicando a economia da região. Com a energia mais cara, os investidores adotaram uma postura cautelosa e venderam ações. Durante a tarde, as principais bolsas operavam em baixa: Paris recuava 3,50%, Frankfurt caía 3,80%, Londres registrava perda de 2,87%, Milão recuava 3,90% e Madri operava em queda de 4,22%.

Na Ásia, as bolsas fecharam em queda nesta terça-feira, diante do agravamento da guerra no Oriente Médio, que aumentou a aversão ao risco entre os investidores. Na China, o índice de Xangai teve recuo de 1,43%, chegando aos 4.122 pontos, enquanto o CSI300, composto pelas principais empresas de Xangai e Shenzhen, caiu 1,54%, indo para 4.655 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng fechou com perda de 1,12%, terminando o dia em 25.768 pontos.

No Japão, o índice Nikkei sofreu um despenco de 3,1%, finalizando em 56.279 pontos, e na Coreia do Sul, o Kospi apresentou forte queda de 7,24%, fechando em 5.791 pontos. Em Taiwan, o Taiex caiu 2,20%, para 34.323 pontos, e na Austrália, o S&P/ASX 200 registrou baixa de 1,34%, fixando-se em 9.077 pontos. A única exceção foi o mercado de Cingapura, onde o Straits Times avançou 0,53%, alcançando 4.916 pontos.

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