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Brasileiro vence prêmio internacional de arquitetura com a reforma da ‘Casa de Mainha’ em Pernambuco

O arquiteto pernambucano Zé Vagner, de 34 anos, conquistou na última quinta-feira (19) o prêmio Arch Daily — um dos mais prestigiados da arquitetura mundial — com o projeto “Casa de Mainha”. A obra consistiu na reforma da residência onde mora com sua mãe, a costureira Nalva, de 59 anos, localizada na cidade de Feira Nova, no Agreste de Pernambuco.

O Projeto e a Premiação

A obra teve início na Quarta-feira de Cinzas de 2025. O projeto foi o único representante brasileiro entre os finalistas das 15 categorias da premiação, concorrendo com centenas de trabalhos globais. A vitória foi definida por uma combinação de voto popular na internet e avaliação de um júri especializado.

A “Casa de Mainha” também já havia sido reconhecida pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em Pernambuco, na categoria Edificações, e segue na disputa nacional do prêmio, com resultado previsto para março.

Resgate Afetivo e Construção Familiar

A estrutura original da residência foi erguida na década de 1980 pelos pais e avós do arquiteto, que fabricaram desde os tijolos até o telhado. Durante a reforma, a equipe chegou a encontrar tijolos originais preservando as marcas dos dedos dos familiares. “Esse projeto só existe por esse movimento do filho que devolve um pouco para a mãe. O sacrifício de uma vida para poder estudar”, destacou Zé Vagner.

Soluções Arquitetônicas de Baixo Custo

A motivação central da reforma era melhorar a qualidade de vida de Dona Nalva, que sofre com problemas respiratórios e necessitava de um ambiente mais arejado. Cinco cômodos antigos foram integrados para formar duas áreas amplas, com mais janelas e pé-direito alto.

Enfrentando um orçamento enxuto, o arquiteto priorizou materiais locais e soluções criativas:

  • Placas de concreto: Instaladas acima das janelas, garantem proteção e permitem que os vidros fiquem abertos mesmo durante a chuva.
  • Cobogós: Peças vazadas foram posicionadas em paredes mais altas para assegurar ventilação cruzada e criar desenhos de luz e sombra no teto durante a tarde. Segundo Vagner, o efeito estético custou apenas cerca de R$ 120.

Aprovação da Matriarca e Orgulho da Vizinhança

A execução do projeto também exigiu negociações com os gostos da dona da casa. Dona Nalva fez questão de comprar seu próprio piso — optando por um porcelanato polido —, manteve a porta original da fachada de 30 anos por questões de privacidade e exigiu aberturas no muro para ventilação.

A residência reformada virou motivo de orgulho local. Vizinhos frequentemente param para elogiar, pedir para visitar e até se benzer diante do oratório criado na entrada da casa a pedido de Nalva, que é devota e já sediou a reza de um terço no novo espaço.

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