Intercâmbio e programas no exterior são valorizados no setor sul-mato-grossense
O Encontro Jovens da Agropecuária, realizado na quinta-feira (8), reuniu especialistas para discutir a importância do intercâmbio e da formação internacional na carreira de jovens do agronegócio. O evento aconteceu na Casa Rural e abordou o tema "Agro Global: experiências e oportunidades de estudo e trabalho no agronegócio internacional".
Os palestrantes enfatizaram que a experiência fora do Brasil não só amplia horizontes como também fornece conhecimento essencial sobre mercados globais. A coordenadora de Programas e Projetos Especiais do Senar/MS, Pauline Cury, encorajou os jovens a “sonhar grande”, ressaltando que o agro apresenta numerosas oportunidades para aqueles que buscam se internacionalizar.
Os dados apresentados durante o evento demonstraram o impacto direto do agronegócio de Mato Grosso do Sul no comércio global. Apenas no primeiro semestre de 2026, as exportações do setor totalizaram US$ 5,68 bilhões, com destaque para a carne bovina, que sozinha movimentou US$ 1,17 bilhão, representando um crescimento significativo. Essa realidade reforça a necessidade de profissionais que compreendam as dinâmicas internacionais e o valor de atuar em um mercado globalizado.
O coordenador de negócios da GDM, João Ricardo Silva, apresentou a importância do conhecimento cultural e da fluência no mandarim, dado que a China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil no setor agropecuário. Ele ressaltou que entender a cultura e as práticas chinesas pode ser um diferencial para os profissionais que buscam se destacar no mercado de trabalho.
Alexandre Junqueira Netto, representante do Sindicato Rural de Eldorado, trouxe à tona a necessidade de vivências internacionais para o desenvolvimento de novas lideranças. Ele compartilhou com os jovens quatro desafios comuns—fluência em idiomas, tempo, dinheiro e persistência—que devem ser superados para uma efetiva internacionalização.
Na Europa, o mestrando Rafael Riedel destacou a diferença na valorização do produto agrícola, apresentando que mais de 80% das exportações da União Europeia são de produtos processados. Ele argumentou que o foco deve ser a criação de valor, e não apenas a produção em volume. Para ele, a vivência no exterior oferece insight essencial sobre a aplicação de inovações e regulamentações que podem ser trazidas para o Brasil.
Na Oceania, Mariana de Aragão Pereira, primeira mulher a chefiar a Embrapa Gado de Corte, relatou sua experiência na Nova Zelândia e a valorização da gestão da propriedade, além de indicadores de produtividade que diferem da realidade brasileira. Ela sugeriu que o Brasil deve olhar para essas experiências como oportunidade de adaptação e evolução no setor agropecuário.
O evento, que chega à sua 35ª edição, reafirma o desejo da juventude em se engajar mais com o agronegócio, apresentando caminhos que unem o conhecimento acadêmico ao mercado internacional. Em um mundo em transformação contínua, as experiências proporcionadas por intercâmbios e programas de liderança são fundamentais para moldar a nova geração de profissionais do agro.
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