A Polícia Legislativa Federal (PLF) indiciou o humorista e influenciador Tiago Santinelli por ameaça de morte e incitação ao crime contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O caso envolve uma publicação feita na rede social X (antigo Twitter), em janeiro deste ano, na qual Santinelli escreveu que alguém deveria “desligar” o parlamentar.
Segundo informações apuradas, a intimação foi entregue ao humorista momentos antes de um show realizado em São Paulo, no último sábado (28/2). Ele foi formalmente convocado a prestar esclarecimentos, mas não compareceu à delegacia na data marcada.
Na postagem que motivou o inquérito, Santinelli declarou:
“Alguém desliga o Nikolas por favor. Pode ser igual desligaram o Charlie Kirk, não importa. A gente não pode ficar pagando 60K [R$ 60 mil] pra um filho da p*** desse que pede para um país estrangeiro invadir o próprio país que ele é pago para representar.”

A fala foi interpretada pela investigação como possível incitação à violência, ao sugerir que o parlamentar fosse “desligado” de forma semelhante ao que teria ocorrido com o ativista conservador norte-americano Charlie Kirk.
A Polícia Legislativa entendeu que a expressão ultrapassaria os limites da crítica política e do humor, podendo configurar ameaça e incentivo a ato criminoso.
Liberdade de expressão ou incitação?
O episódio reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão no Brasil. Críticas políticas, mesmo duras, fazem parte do ambiente democrático. No entanto, quando há menção direta à eliminação física de um representante eleito, o caso passa a ser analisado sob o prisma penal.
Nikolas Ferreira, um dos parlamentares mais votados do país e frequentemente alvo de ataques nas redes sociais, tem sido uma das principais vozes conservadoras no Congresso Nacional. O caso ocorre em meio a um ambiente político cada vez mais polarizado.
A investigação deverá ser concluída e o inquérito encaminhado à Justiça Federal, que decidirá sobre eventual denúncia do Ministério Público e medidas cabíveis.
Até o momento, Tiago Santinelli não apresentou esclarecimentos formais à autoridade policial sobre a publicação investigada.

