A manifestação “Acorda Brasil”, promovida pela direita, teve início na Avenida Paulista, com ponto de concentração adjacente ao Masp. Um carro de som foi posicionado no centro da via, nas proximidades do museu, e os participantes preencheram ao menos quatro quarteirões da avenida.
O evento deste domingo funciona como um termômetro político relevante para o senador Flávio Bolsonaro, que comparece à sua primeira grande mobilização desde que foi indicado pelo pai, Jair Bolsonaro, como pré-candidato à Presidência da República. Ele chegou ao local no início da tarde ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos idealizadores do ato.
Em um discurso com duração aproximada de 17 minutos, vestindo um colete à prova de balas, Flávio direcionou críticas diretas ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Diferentemente de seus aliados, ele evitou citar nominalmente os magistrados. O senador defendeu a derrubada do veto do presidente Lula ao projeto que modifica a dosimetria das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A fala também incluiu ataques ao presidente e ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ao agradecer a presença de lideranças, como o prefeito paulistano Ricardo Nunes, Flávio declarou que Jair Bolsonaro encontra-se “enjaulado, mas mais vivo do que nunca”.
O pastor Silas Malafaia e outros possíveis postulantes à Presidência pelo campo da direita também compareceram, incluindo os governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás.
Por outro lado, o ato registrou duas ausências notáveis. O governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não participou por estar em Frankfurt, na Alemanha, cumprindo uma agenda oficial que envolve uma visita ao supercomputador JUPITER e a participação em um painel sobre logística e transporte. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também não compareceu; segundo os organizadores, ela foi submetida a uma cirurgia na última sexta-feira.
A chegada conjunta de Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira acontece em um cenário de atritos internos na direita, que lida com discordâncias sobre a escolha do candidato do grupo para o próximo pleito presidencial. Anteriormente, Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira defendiam o nome de Tarcísio de Freitas para a disputa. Com a saída do governador paulista do páreo, ambos não haviam se engajado na campanha do filho mais velho do ex-presidente. Em contrapartida, o deputado federal Mário Frias (PL) defendeu publicamente a união do bloco em torno da candidatura de Flávio.
Os presentes adotaram roupas nas cores verde e amarela, portando faixas e cartazes que reivindicavam a soltura de Jair Bolsonaro e a destituição dos ministros do STF, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Ao longo do encontro, entoaram coros exigindo a prisão de Lula e o impeachment imediato dos magistrados.
Uma das faixas exibia a mensagem “Fora Lula, Moraes e Toffoli”, aludindo ao episódio envolvendo o Banco Master, indicando o foco dos discursos ao longo da tarde, em paralelo às críticas ao Executivo e ao Judiciário.
A estrutura visual da manifestação contou com um boneco inflável gigante de Jair Bolsonaro, trajando terno escuro, faixa presidencial e a palavra “Mito”, além de uma fita na boca com os dizeres “Falem por mim” e uma base com a mensagem “Libertem Bolsonaro!”. Em outro trecho, um inflável apresentava caricaturas de três ministros do STF segurando um letreiro com a frase “Junte-se ao Novo 30 pelo impeachment” e a inscrição “Contrato 29 milhões”.

Havia também um boneco retratando Lula de maneira caricata com vestes de presidiário, segurando uma abóbora escrita “Validade 2026” e um pacote com a palavra “Café”. Além disso, um participante fantasiou-se de Alexandre de Moraes, usando toga, máscara careca e um vaso sanitário cenográfico acoplado ao corpo. Na tampa do objeto, havia uma foto de Lula com a frase “Fora – Impeachment Já”; na parte interna, a imagem de Moraes era acompanhada pelas expressões “Anistia Já” e “Fábrica de fake news”.
De acordo com a organização, a mobilização teve um custo aproximado de R$ 130 mil, montante financiado por meio de arrecadação coletiva promovida pelos parlamentares envolvidos.

