Senador aposta no ex-promotor de Justiça alagoano para atrair eleitorado nordestino, após Republicanos e União Brasil declararem neutralidade na disputa.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) definiu nesta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu candidato a vice-presidente na corrida ao Palácio do Planalto. A decisão consolida uma chapa "puro-sangue" para o Partido Liberal nas eleições deste ano, encerrando um período de negociações que visava atrair alianças mais amplas ao centro e à direita.
Ex-promotor de Justiça e antigo secretário de Segurança Pública de Alagoas, Gaspar obteve projeção nacional ao atuar como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS na Câmara dos Deputados. Para o candidato ao Planalto, o perfil do parlamentar alia o rigor no combate à corrupção a uma representatividade estratégica na região Nordeste.
Durante o evento de oficialização, Flávio justificou a escolha destacando a trajetória do aliado no Ministério Público alagoano. "É uma pessoa que eu aprendi a admirar, todos vocês aqui aprenderam a admirar pela coragem, honestidade, pela sua história em frente à segurança pública", declarou o senador. O cabeça de chapa ressaltou ainda que o novo parceiro de palanque defendeu aposentados na CPMI e que é "alguém que pediu a prisão do Lulinha porque tinha culpa no cartório", além de classificar o deputado como um legítimo representante nordestino.
A consolidação de Gaspar ocorre como alternativa a uma articulação política que originalmente mirava o eleitorado feminino — grupo que hoje representa mais da metade dos votantes do país, somando 52,8%. Nas últimas semanas, a campanha bolsonarista sondou intensamente nomes como o da senadora Tereza Cristina (PP) e o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos).
O ingresso de ambas na chapa, no entanto, esbarrou na dinâmica partidária de suas siglas. As legendas cobiçadas pelo PL — tanto o Republicanos quanto a federação composta por União Brasil e Progressistas — decidiram não integrar a coligação e anunciaram formalmente neutralidade na disputa presidencial.
Apesar do revés nos acordos, as lideranças femininas sondadas compareceram ao anúncio nesta quarta-feira para manifestar apoio pessoal à candidatura bolsonarista. Tereza Cristina justificou a recusa à vice-presidência por limitações burocráticas impostas por seu partido, enquanto Daniella Marques utilizou o momento para discursar a favor da ampliação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento das mulheres.
Com o palanque nacional agora restrito à própria sigla, a campanha do PL foca em maximizar os ativos eleitorais de Gaspar, apostando no histórico jurídico e na pauta de segurança pública para assegurar as bases do eleitorado conservador antes do primeiro turno.
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