Indagado a respeito da elaboração de estratégias para o deslocamento de soldados norte-americanos ao território iraniano visando resguardar complexos subterrâneos de enriquecimento de urânio, Trump admitiu a ausência de um alinhamento interno em sua administração sobre os próximos passos.
(A trajetória de Mojtaba Khamenei, recém-nomeado líder supremo do Irã)
O chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, declarou no decorrer desta segunda-feira (9) que se encontra “longe de” determinar uma missão por terra no Irã, pontuando, no entanto, que “não está feliz” com a definição de Mojtaba Khamenei para o posto de novo líder supremo da nação persa, conforme relatou em uma entrevista exclusiva concedida a um periódico dos Estados Unidos.
Questionado sobre a existência de projetos para a remessa de tropas americanas ao solo iraniano com o intuito de proteger as usinas subterrâneas destinadas ao enriquecimento de urânio, Trump pontuou que ainda há divergências em seu gabinete a respeito de qual atitude adotar, mas antecipou que uma ofensiva terrestre não deve acontecer em um horizonte próximo.
“Não tomamos nenhuma decisão sobre isso. Estamos longe de chegar a um acordo”, admitiu o presidente.
A respeito de Mojtaba Khamenei — herdeiro do aiatolá morto no dia inaugural das investidas dos Estados Unidos e de Israel contra Teerã —, que teve sua nomeação validada para substituir o pai, Trump preferiu não se alongar nos comentários: “Não vou dizer a vocês, mas não estou satisfeito com ele”.
Logo na sequência, durante uma conversa com um canal de televisão norte-americano, o presidente abordou novamente a escolha e avaliou que ainda é “cedo demais” para debater a apreensão das reservas de petróleo do Irã, embora não descarte a alternativa:
“Acho que eles cometeram um grande erro”.
No domingo (8), momentos antes de o regime de Teerã oficializar Mojtaba Khamenei como o herdeiro do cargo de Ali Khamenei, Trump havia afirmado que o futuro líder supremo iraniano não se sustentaria no poder por muito tempo caso não recebesse o aval de sua gestão.
“Ele vai ter que obter nossa aprovação”, declarou Trump à imprensa. “Se ele não obtiver nossa aprovação, não vai durar muito”.
Alguns dias antes, na quinta-feira (5), o mandatário dos Estados Unidos havia manifestado a intenção de intervir de forma direta nas deliberações para a escolha do próximo comandante iraniano, classificando a possibilidade de ter Mojtaba Khamenei no cargo como “inaceitável”.
“O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã. Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso morto”.
Em uma declaração a uma emissora televisiva, o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, rebateu as falas, asseverando que a prerrogativa de selecionar o novo líder da nação pertence exclusivamente ao povo iraniano, e não ao presidente dos Estados Unidos.
O ministro das Relações Exteriores exigiu, inclusive, um pedido de perdão formal por parte do líder norte-americano por, na sua visão, ter deflagrado a guerra na região do Oriente Médio:
“Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. É responsabilidade do povo iraniano escolher seu novo líder. Trump deveria pedir desculpas ao povo da região e ao povo iraniano pelos assassinatos e pela destruição que provocaram”.