Criado na gestão de Reinaldo Azambuja, o pioneiro Bolsa Atleta-Guia serviu de modelo para o governo federal e consolidou estrutura para competidores de alto rendimento
Um modelo estratégico de fomento ao esporte estruturado em Mato Grosso do Sul transformou a realidade financeira de atletas locais e resultou em ouros paralímpicos e quebras de recordes mundiais. Ao longo de seus dois mandatos como governador, Reinaldo Azambuja implementou políticas públicas que tiraram competidores da vulnerabilidade e viabilizaram a estrutura exigida para o esporte de ponta no estado.

A medida de maior repercussão institucional foi a criação, em 2022, do Bolsa Atleta-Guia. O programa destinou uma remuneração de R$ 5.230 aos profissionais que atuam ao lado de competidores com deficiência visual durante as provas. A iniciativa sul-mato-grossense foi inédita no país e acabou, posteriormente, incorporada às diretrizes de fomento esportivo do governo federal.
O formato do benefício nasceu de um diálogo direto entre o então chefe do Executivo e o campeão paralímpico Yeltsin Jacques, competidor da classe T11 — categoria do atletismo destinada a pessoas com deficiência visual total. Yeltsin explicou como a demanda surgiu de maneira informal e resolutiva. "Ele perguntou como funcionava a questão do guia. Eu expliquei e ele falou: ‘a gente tem que criar uma bolsa’. Ele perguntou sobre os ganhos dos guias, tudo, e essa ideia foi dele", relatou o atleta.
O parceiro de pista de Yeltsin há sete anos, Guilherme Ademilson, lembra que a definição financeira ocorreu no ato. "O Yeltsin falou um valor e, na hora, o Reinaldo bateu o martelo, disse que ia criar o programa e criou", detalhou o guia. Juntos, ambos bolsistas do estado, eles conquistaram o bicampeonato paralímpico em Paris 2024, garantindo a medalha de ouro nos 1.500 metros com a marca de 3min55s82, quebrando o próprio recorde mundial. Faturaram também o bronze nos 5.000 metros na França, além do campeonato mundial no Japão e o ouro no Parapan-Americano do Chile, em 2023.
A segurança financeira proporcionada pelos investimentos estatais contrasta diretamente com a realidade inicial de muitos desses campeões. O medalhista paralímpico de paracanoagem Fernando Rufino, conhecido como “Cowboy de Aço”, recorda o cenário de escassez antes de ser contemplado pelo Estado.
"Eu morei numa pousada em que comia pão com margarina. Fiquei dois anos fazendo isso. Almoçava e jantava sopa."

A consolidação da carreira, segundo Rufino, ocorreu quando os primeiros resultados garantiram acesso ao Bolsa Atleta. O benefício permitiu moradia digna, atraiu patrocínio da iniciativa privada e viabilizou a utilização de equipamentos de primeira linha. Atualmente, o paracanoísta projeta que a eventual eleição de Azambuja ao Senado (PL) trará mais verbas estruturais para as federações e para a Fundesporte.
O raio de atuação das políticas sul-mato-grossenses mobilizou R$ 4,3 milhões, garantindo apoio a mais de 380 competidores por meio do Bolsa Atleta e Bolsa Técnico. A base do esporte também foi estruturada pelo MS Desporto Escolar, programa que beneficiou 35 mil alunos ao ano em 74 municípios, contando com 790 professores.
A infraestrutura acompanhou os investimentos em capital humano. Por meio do programa MS Bom de Bola, o governo estadual implantou 117 arenas equipadas com gramado sintético e iluminação de LED em dezenas de cidades. Além disso, Itaquiraí, Jaraguari e Maracaju ganharam ginásios esportivos novos, enquanto Ponta Porã e Chapadão do Sul receberam pistas oficiais de atletismo.
Ao avaliar o legado das políticas que estabeleceu, Reinaldo define a estratégia como um projeto social mais amplo. "Nós construímos equipamentos nos 79 municípios e mecanismos para incluir e estimular desde o atleta iniciante ao medalhista", afirmou, ressaltando que o fomento garante não apenas pódios, mas saúde, bem-estar e inclusão social aos jovens de Mato Grosso do Sul.
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