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Causa animal

Pesquisador brasileiro descobre na Bolívia a primeira nova espécie de felino em mais de um século

Leopardus tilcayo foi identificado após análise genética de um filhote resgatado; estudo da PUCRS também descreveu subespécie no Peru.

Pela primeira vez em mais de cem anos, a ciência catalogou uma nova espécie atual — não fóssil — de felino selvagem. O achado nas florestas montanhosas da Bolívia foi conduzido por uma equipe liderada pelo professor Eduardo Eizirik, da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), e revela uma linhagem evolutiva até então desconhecida.

Batizado de Leopardus tilcayo, o animal foi identificado a partir de um filhote encontrado por um morador da região boliviana de Nor Yungas em 2016. Inicialmente abrigado no refúgio de animais La Senda Verde sob a suposição de pertencer à espécie já conhecida Leopardus tigrinus, o felino passou por uma detalhada análise genética. O exame comprovou que ele não pertencia ao grupo imaginado, mas sim a um braço distinto na complexa árvore genealógica dos gatos selvagens sul-americanos.

"São animais que apresentam aparência muito semelhante, mas são geneticamente diferentes e seguem histórias evolutivas independentes há centenas de milhares ou até milhões de anos", afirma o pesquisador brasileiro. Eizirik explica que a semelhança visual fez com que diferentes espécies fossem, durante muito tempo, confundidas e classificadas como uma só.

A pesquisa, publicada na revista científica Current Biology, reconfigura a compreensão sobre a diversidade dos gatos-do-mato no continente. Além do felino boliviano, o mapeamento identificou uma nova subespécie nas florestas peruanas, também na região de Yungas, denominada Leopardus tigrinus antisuyo.

A diferenciação formal da espécie traz desdobramentos diretos para as políticas de proteção ambiental. A equipe científica destaca que a descoberta já nasce sob alerta de conservação, uma vez que as populações desses felinos enfrentam a constante ameaça da perda de habitat, o avanço da caça e o risco de doenças transmitidas por animais domésticos.

"Este é um estudo que evidencia o quanto ainda há para se descobrir sobre a biodiversidade do planeta. Mesmo entre animais carismáticos e conhecidos como os felinos, espécies podem permanecer desconhecidas durante séculos", ressalta Eizirik.


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