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Causa animal

Corujinha surpreende padre ao se instalar sobre imagem de santo

Ave passou a noite na Igreja Matriz de São Pedro, no interior de São Paulo, sem sair de cima da imagem do padroeiro da cidade

São Pedro (SP) — Uma corujinha-do-mato (Megascops choliba) entrou na Igreja Matriz de São Pedro, no interior de São Paulo, sem que ninguém percebesse e com todas as janelas fechadas, e se instalou sobre a imagem de São Pedro, padroeiro da cidade. A ave permaneceu ali até o dia seguinte, sem sair do local.

O episódio ocorreu na sexta-feira, 2 de outubro. O padre Mauro Bombo, que está à frente da paróquia há três anos, chegou para celebrar a missa das 6h30 e encontrou a coruja já posicionada sobre a imagem do santo.

"Ela apareceu numa sexta feira, dia 02 de outubro. Eu cheguei para celebrar a missa das 6h30. Ela já estava lá. Interessante que não tinha nenhuma janela aberta e ninguém percebeu a entrada da ave", relata o padre Mauro.

Durante as horas seguintes, a ave não saiu do lugar. Segundo o padre, ela permaneceu quieta e não voou pelo templo, mesmo com visitas frequentes ao local.

"Durante sua permanência, ela ficou sobre a imagem. Bem tranquila. Não sobrevoou na igreja. Várias vezes durante o dia fui lá para vê-la. Estava tranquila. Não consegui observar como foi embora", detalha Bombo.

A administração da paróquia optou por deixar uma das janelas abertas e acredita que a ave tenha saído por ali. Não foi possível registrar o momento da partida.

Não é a primeira vez que uma coruja aparece na paróquia. No ano passado, outra ave foi encontrada na sala da casa paroquial e deixou o cômodo pela janela assim que percebeu a presença do padre.

Uma espécie presente em todo o Brasil

A corujinha-do-mato ocorre em todos os estados brasileiros e tem hábitos estritamente noturnos, costumando ficar empoleirada em árvores durante o dia. Os machos medem de 20 a 30 centímetros e pesam entre 80 e 169 gramas; as fêmeas, de 17 a 28 centímetros e entre 97 e 196 gramas.

Um dos traços mais característicos da espécie são os tufos de penas na cabeça, que lembram orelhas. No período reprodutivo, entre janeiro e julho, a fêmea põe de um a quatro ovos em ocos de árvores ou buracos de cupinzeiros, e é responsável exclusiva pela incubação.

Paixão por corujas

Mauro Bombo é admirador das corujas desde os tempos de seminarista. Foi durante os estudos de filosofia que aprendeu o simbolismo associado à ave.

"Acho lindas. E quando comecei estudar filosofia, aprendi que a coruja é a ave símbolo da sabedoria. Talvez pelo fato de elas serem atentas a tudo o que acontece ao redor e ficam observando tranquilamente as coisas. Ouvi certa vez que na Grécia Antiga só os mais velhos podiam ter coruja como aves de estimação. Por simbolizar a sabedoria", comenta o padre.

A admiração deu origem a uma coleção de imagens da ave, iniciada ainda no seminário, quando Bombo passou a receber peças de amigos e colegas. Mais tarde, um padre amigo que também colecionava lhe presenteou com outras imagens.

Hoje o acervo reúne cerca de trezentas peças vindas de diferentes partes do mundo. "Sempre algum amigo ou amiga que viaja traz de presente. Aqui em São Pedro já ganhei várias", conclui Bombo.

Não há como saber se outra coruja voltará a visitar a paróquia. Por ora, o episódio se soma às histórias do padre, que cultiva há anos uma admiração particular pela espécie.


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