Postagem exibe a “Bandeira de Betsy Ross”, símbolo das 13 colônias originais, acompanhada de slogan nacionalista, enquanto Emmanuel Macron acusa Washington de “agressividade neocolonial”.
Em meio a um cenário de fricção diplomática com líderes europeus críticos à atual política externa de Donald Trump, o perfil oficial da Secretaria de Trabalho dos Estados Unidos na plataforma X (antigo Twitter) publicou uma imagem da bandeira norte-americana em uma versão anterior à Guerra Civil.
O símbolo divulgado é conhecido historicamente como a bandeira de Betsy Ross. Trata-se de uma das primeiras representações visuais dos EUA, caracterizada por 13 estrelas brancas dispostas em círculo sobre um quadrado azul, representando as 13 colônias originais que fundaram a nação no século XVIII.
A publicação foi acompanhada pela legenda: “O patriotismo vai prevalecer. América em primeiro lugar. Sempre.”
A expressão “America First” (América em Primeiro Lugar) é um dos slogans centrais do movimento político MAGA, liderado por Trump, sendo frequentemente utilizada para justificar a priorização dos interesses nacionais em detrimento da cooperação internacional. Embora a bandeira de Betsy Ross remeta à Revolução Americana, o símbolo tem sido resgatado e reapropriado nos últimos anos por grupos conservadores e nacionalistas.
Críticas de Macron e tensão com aliados
A postagem ocorre simultaneamente a uma onda de críticas públicas de líderes europeus às decisões recentes de Washington. Nesta quinta-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, declarou que os Estados Unidos estão “desrespeitando as normas internacionais” e promovendo um distanciamento gradual de seus aliados, agindo dentro de um contexto de crescente “agressividade neocolonial”.
“Os Estados Unidos são uma potência consolidada, mas estão se distanciando progressivamente de alguns de seus aliados e desrespeitando as normas internacionais que ainda promoviam até recentemente”, afirmou o líder francês.
As falas de Macron ocorreram durante seu tradicional discurso anual aos embaixadores da França. O evento deste ano acontece sob o impacto da recente operação militar dos EUA que resultou na captura de Nicolás Maduro na Venezuela, além das ameaças norte-americanas de anexação da Groenlândia.
“As instituições multilaterais funcionam de forma cada vez pior. Estamos evoluindo para um mundo de grandes potências com uma verdadeira tentação de dividir o mundo”, alertou Macron, enfatizando que é preciso “rejeitar o novo colonialismo, o novo imperialismo”.