Levantamento marca o Dia Internacional da Mulher Rural e amplia o conceito de poder no setor
A revista Forbes Brasil lançou nesta quinta-feira (15) a segunda edição da lista "As 100 Mulheres Poderosas do Agro", divulgada no Dia Internacional da Mulher Rural, cinco anos depois da seleção original, de 2021. A primeira versão foi uma iniciativa inédita na comunicação do agronegócio brasileiro: em vez de reunir 10 ou 15 nomes, como costuma ocorrer nas demais listas da publicação, a Forbes optou por cem mulheres de diferentes regiões, gerações e áreas de atuação.
A nova edição incorpora uma leitura mais ampla sobre o que significa poder, impacto e influência no setor. Segundo a publicação, os três conceitos são relacionados, mas não equivalentes: poder está ligado à capacidade de decidir sobre recursos, pessoas, investimentos e mercados; impacto corresponde às consequências dessa atuação, como a adoção de uma tecnologia ou a transformação de uma cadeia produtiva; e influência diz respeito à capacidade de mobilizar e orientar outras pessoas, mesmo sem exposição pública ou grande audiência nas redes sociais.
Nos quatro anos entre as duas listas gerais, a Forbes aprofundou recortes específicos sobre a participação feminina no campo. Em 2022, publicou os 50 Grupos de Mulheres do Agro Brasil, voltados ao associativismo. Em 2023, a seleção das 100 Mulheres Doutoras do Agro destacou a ciência aplicada à produção agropecuária. Em 2024, a lista das 50 Mulheres que Levam o Agro do Brasil para o Mundo acompanhou brasileiras em posições internacionais, e a edição de 2025 apresentou mulheres da Geração Z ligadas à sucessão familiar e ao empreendedorismo digital.
Os nomes da nova lista aparecem em ordem alfabética, com exceção dos dois primeiros: Nina Plöger, atual presidente do Forbes Mulher Agro (FMA), e Helen Jacintho, primeira presidente do grupo, criado em 2023 na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), a partir da repercussão da lista de 2021. Helen é engenheira de alimentos e comanda, com o marido, propriedades em Barretos (SP) e Flores de Goiás (GO), onde aplica métodos industriais à pecuária intensiva. Nina, economista e representante da quarta geração de um grupo florestal centenário, atua em negociações comerciais entre Brasil e Alemanha e integra conselhos ligados ao agronegócio na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
A seleção reúne trajetórias de diferentes frentes da economia rural. Entre elas está Adriana Maugeri, primeira mulher a presidir, desde 2024, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Florestas Plantadas do Ministério da Agricultura e Pecuária, em um colegiado de 32 câmaras com apenas duas comandadas por mulheres. Alessandra Zanotto Costa preside a Associação Baiana dos Produtores de Algodão, que reúne cerca de 140 produtores, e defende a ampliação do embarque da fibra pelo Porto de Salvador. Já Amanda Pelizzer Lerin, de 24 anos, é a primeira mulher a integrar, em 95 anos de história, a direção do conselho da Cooperativa Vinícola Aurora, no Rio Grande do Sul, que reúne cerca de 1.100 famílias de viticultores e faturou R$ 888,4 milhões em 2025.
A lista também contempla áreas menos visíveis da cadeia produtiva. Amanda Hoch transformou resíduos de frigoríficos em couro de tilápia exportado para sete países pela empresa que fundou em Andradina (SP). Ana Lúcia de Paula Viana, primeira mulher a ocupar o posto de adida agrícola do Brasil em Washington, representa o país junto ao governo dos Estados Unidos em um período de tensão comercial bilateral. Ana Paula Repezza, à frente da CropLife Brasil desde maio de 2026, lida com a regulamentação de bioinsumos em um setor que movimentou R$ 114,1 bilhões em 2024.
A ciência também tem espaço na seleção. Ana Paula Zapelini de Melo, pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina, adaptou uma máquina de café expresso para criar o primeiro protocolo oficial do Brasil de monitoramento de contaminantes de petróleo em pescado, validado pelo Ministério da Agricultura e pela União Europeia. No setor do cacau, Adriana Reis, do Centro de Inovação do Cacau, na Bahia, resume a tese que defende no segmento: "É preciso que o produtor entenda a qualidade."
A publicação completa da lista segue em ordem alfabética até o centésimo nome, abrangendo produtoras rurais, pesquisadoras, executivas e lideranças institucionais de diferentes regiões do país.
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